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terça-feira, novembro 15, 2011

Grávida bipolar

Pois é!! Mudei radicalmente de opinião quanto ao tempo que eu quero que dure essa gravidez, muito embora eu não seja doida de fazer nada quanto a isso a não ser esperar a natureza comandar a orquestra.

Todo mundo tá careca de me ouvir dizer que eu gosto tanto de estar grávida que eu queria que a minha gestação fosse como de elefante, gigantesca, ou, em termos humanos, que durasse todas as 41 semanas possíveis para que eu aproveitasse ao máximo a sensação maravilhosa que é ter esse pequeno ser se desenvolvendo dentro de mim e, também, me chutando e se mexendo todinho lá dentro de forma que só eu sou capaz de perceber e sentir. É um lance meio egoísta que só as mães sentem! Enquanto ele está lá dentro, enquanto compartilhamos os mesmos fluidos, enquanto somos ligados por um cordão, somos um só. Ninguém toca, ninguém mexe, ninguém se envolve e, principalmente, ninguém interfere no que eu penso que é bom para ele. Esse momento é mágico e é muito maior do que todo o desconforto que vem no pacote. Não tem comparação.

Mas parece que eu tenho priorizado coisas mais mundanas atualmente, pelo menos nos últimos dias e pelos próximos minutos, pois, como se percebe no nome que dá título ao tópico, eu (e todas as demais grávidas) ando um tanto quanto bipolar nas minhas verdades absolutas. Só não mudo nunca de opinião sobre partos normais e cesarianas, mas isso é assunto para outro post.

O Pedro está previsto para nascer no dia 28/03/2012, ou seja, o outono já terá chegado no calendário e o verão já estará nos deixando na vida real. Um clima perfeito para se ter bebês, eu diria! Agradável, mas não quente demais, num primeiro momento, o que evita os famosos choques térmicos de temperatura, tão prejudiciais aos recém-nascidos e às pessoas em geral; e fresquinho quando estivermos dispostos a nos aventurarmos nas nossas primeiras passeadas. Quando o inverno realmente aparecer, já estaremos totalmente adaptados à nossa nova vida com o Pedro, de forma que a transição ocorrerá tranquilamente. Perfeito, não?!

Para o Pedro, com certeza! Para mim, contudo, desesperador (como sou exagerada). O verão ainda nem começou oficialmente, mas os poucos dias de calorão que já tivemos serviram para dar uma provinha de como eu vou sofrer nessa estação. Se a temperatura é 30ºC no termômetro, para mim parece 47ºC. Eu sinto calor demais, transpiro demais, incho demais e tenho disposição de menos. E há que se levar em consideração que, quando ele realmente chegar, eu estarei ainda maior para todos os lados, então é preciso elevar tudo o que senti na enésima potência! Mas sabem que isso eu acho que tiro de letra! Os arcondicionados estão aí para trazerem conforto térmico, não é mesmo?! Também a piscina e o clima litorâneo.

Se eu não posso culpar o calor para querer uma gravidez mais rapidinha, então sobra pra quem?! Sinceramente falando, pra todas as besteiras que povoam a minha mente quando eu não tenho nada melhor para pensar. E a primeira delas, a que me fez começar a mudar de opinião, é o bebê que o Gabriel foi, ou melhor, a experiência que eu já tive.

É que, como todo mundo sabe, o Gabriel foi um bebê com tamanho G, que nasceu pesando 3,560Kg, mas que em meio ano já tinha alcançado os 10Kg na balança. Um bebezão, como as pessoas gostam de chamar. Muito lindo, por sinal! Mas eu já tive essa experiência, eu já tive o meu mega-bebê. Eu adorei, mas eu já sei como é. Agora, eu queria um pequenino, delicadinho, quase frágil. É difícil olhar para mim (e para toda a transformação que se dá no meu corpo) e me imaginar tendo um bebezinho, é verdade. E com tudo que eu tenho comido de salmão* eu só posso acreditar que um bebê tamanho P é quase impossível. Então o lance é adiantar o nascimento, oras bolas!! Se nas últimas semanas eles ganham muito peso, vamos fazer esse menino nascer um pouco antes! De parto normal, óbvio! Quando ele quiser, claro! Com a gravidez a termo, evidente! Mas, quem sabe, lá pelas 37 ou 38 semanas! :)

Além disso, outro dia, organizando as suas roupinhas, descobrimos que, só para variar, já exageramos no tamanho RN. A gente não aprende!!! Ou aprenderemos no terceiro. kkk Agora eu fico estressada com a possibilidade dele não aproveitar todas as roupinas lindas! Sim, eu penso nisso. Confesso. E qual a solução? Um bebê pequeno, ao menos nos primeiros dias!!!

Também não vou negar o que eu me dei conta ontem, de que, quanto mais durar a gestação, mais estragos o meu corpo vai sofrer. O final é cruel com todas as mulheres! Pensem no que o final pode fazer COMIGO. Socorro!!! É assustador! Umas semaninhas a menos, com certeza, uns quilos a menos pra perder no day after!

E pra completar a lista de abobrinhas, tem o pequeno detalhe que eu me lembrei sobre os últimos anos. Já faz tempo que março não é o melhor mês do verão, muito antes pelo contrário. Março tem se mostrado um mês chatinho e chuvoso. Ele já vem antecipando o outono no início, mudando o colorido e a temperatura diariamente. Os banhos de piscina têm se mostrado cada vez mais raros no mês de março! Enfim, mesmo com todas as minhas desculpas egoístas, para o Pedro, não vai fazer tanta diferença assim nascer de 38 ou 41 semanas. Por isso, com licença, consciência limpa quanto aos meus pensamentos egoístas!

Mas tudo isso que eu escrevi não passa de um monte de divagações inúteis de quem não tem muito o que fazer nesse dia chatinho de feriado. Até prova em contrário, quem decide quando nascer é o Pedro e eu jamais interferiria no que a natureza, sábia, determina.

Tenho pena do monte de mulheres grávidas que pensam exatamente como eu e que acham que isso tudo é motivo para elas decidirem a hora de serem mães. A gente controla muita coisa nessa vida, mas isso não cabe a nós. Cesárea eletiva, com licença, vou ali dar uma vomitadinha e já volto. Argh! Esse nome não me desce.

E ninguém venha me dizer que faz cesárea porque tem medo da dor do parto normal, porque há décadas já se usa anestesia para o parto, mas até hoje não inventaram um remédio que realmente consiga tirar a dor de um pós-cirúrgico. Se um parto normal, que nem médico necessita, assusta pelo que pode ocorrer de errado, imagina um anormal, também chamado de parto cesáreo, numa sala muito mais hospitalar, com tantos outros médicos na equipe, onde, com mãos atadas e mesmo acordada, porque ninguém seria imbecil a ponto de pedir para dormir enquanto acontece o momento mais feliz da sua vida, cortam a barriga e se sente cheiro de carne humana queimada (a sua própria). E sabe-se lá como está o bebê lá dentro, se pronto para nascer, se ainda faltando alguns "detalhes" indispensáveis, afinal, nesses partos nunca se espera pelos sinais indicativos de que está na hora - o início do trabalho de parto. É tão esdrúxulo esse tipo de parto que sequer a mãe está preparada para o filho e, muitas vezes, o pobre bebê precisa esperar uns dias para que o corpo da sua mãe produza seu alimento, enquanto que os hormônios responsáveis pelo trabalho de parto no qual passa a mulher que opta pelo parto normal também atuam na produção do leite materno e, minutos após ocorrer o milagre da vida, se desejar, o bebê já pode mamar.

Então, por mais que eu queira ou deixe de querer algo, podem ter certeza, nessa barriga quem manda é o Pedro. Cesárea, só em ultíssimo caso. Porque em todos os outros, podem ter certeza, eu e o Pedro estaremos preparados para atuar em equipe e passar, como o próprio nome diz, por um trabalho árduo, que realmente não é fácil nem prazeroso, mas necessário. E tenho dito!!!



*O salmão é rico em ômega 3, a principal fonte para aumento de peso do feto.

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